Depemoquimabe: um novo capítulo na medicina respiratória de precisão
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A medicina respiratória vive um momento de transformação. Em 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o depemoquimabe (Densurko®) para o tratamento de pacientes com asma grave do tipo 2 e rinossinusite crônica com pólipos nasais, ampliando o arsenal terapêutico da medicina de precisão em doenças inflamatórias respiratórias.
O grande diferencial desse medicamento é sua ultralonga duração de ação, permitindo aplicação subcutânea apenas duas vezes ao ano.
O que é o depemoquimabe?
O depemoquimabe é um anticorpo monoclonal anti-interleucina 5 (IL-5).
A IL-5 é uma citocina fundamental para o crescimento, ativação e sobrevivência dos eosinófilos, células inflamatórias que desempenham papel central em muitos casos de asma grave e rinossinusite crônica com pólipos nasais.
Ao bloquear, de forma potente e prolongada essa via inflamatória, o medicamento reduz a inflamação eosinofílica das vias aéreas e dos seios da face, contribuindo para melhor controle da doença.
Por que esta aprovação é importante?
A asma grave representa apenas uma pequena parcela dos pacientes asmáticos, mas responde por grande parte das exacerbações, internações, uso de corticoides sistêmicos e redução da qualidade de vida.
Muitos desses pacientes apresentam:
Crises frequentes apesar do tratamento adequado;
Uso repetido de corticoide oral;
Internações ou atendimentos de emergência;
Limitação das atividades diárias;
Eosinofilia sanguínea;
Rinossinusite crônica associada;
Pólipos nasais e perda do olfato.
Nesses casos, os imunobiológicos passaram a representar uma das maiores revoluções da pneumologia moderna.
O que mostraram os estudos SWIFT-1 e SWIFT-2?
Os estudos de fase III SWIFT-1 e SWIFT-2, publicados no New England Journal of Medicine, avaliaram pacientes com asma grave eosinofílica recebendo depemoquimabe associado ao tratamento habitual e seus resultados demonstraram:
Redução significativa das exacerbações
Redução de aproximadamente 58% das crises no estudo SWIFT-1;
Redução de aproximadamente 48% das crises no estudo SWIFT-2.
Menor necessidade de hospitalizações e atendimentos de urgência
Os estudos demonstraram diminuição consistente dos eventos graves relacionados à asma, refletindo melhor controle da doença.
Controle sustentado com apenas duas aplicações por ano
O depemoquimabe foi desenvolvido para possuir alta afinidade pela IL-5 e meia-vida prolongada, permitindo administração a cada 26 semanas.
E nos pacientes com pólipos nasais?
A relação entre asma grave eosinofílica e rinossinusite crônica com pólipos nasais é muito frequente.
Estima-se que até 40% dos pacientes com asma grave apresentem pólipos nasais associados, condição que aumenta a carga inflamatória e dificulta o controle respiratório.
Nos estudos ANCHOR-1 e ANCHOR-2, o depemoquimabe demonstrou:
Redução do tamanho dos pólipos;
Melhora da obstrução nasal;
Melhora da qualidade de vida;
Benefícios sustentados sobre a inflamação tipo 2.
Esses resultados foram fundamentais para a aprovação da medicação para rinossinusite crônica com pólipos nasais em diversos países, incluindo o Brasil.
O que diferencia o depemoquimabe dos outros imunobiológicos?
Diversos imunobiológicos já transformaram o tratamento da asma grave, como mepolizumabe, benralizumabe, dupilumabe, omalizumabe e tezepelumabe.
O principal diferencial do depemoquimabe é a possibilidade de:
Aplicação apenas a cada 6 meses
Atualmente, trata-se do primeiro imunobiológico respiratório desenvolvido para manter eficácia clínica com apenas duas aplicações anuais.
Essa característica pode favorecer:
Maior adesão ao tratamento;
Menor carga terapêutica;
Menos deslocamentos para aplicação;
Maior conveniência para pacientes e familiares.
Quem pode ser candidato ao tratamento?
A indicação não depende apenas do diagnóstico de asma.
A avaliação deve considerar diversos fatores, incluindo:
Gravidade da doença;
Frequência de exacerbações;
Necessidade de corticoides sistêmicos;
Eosinófilos sanguíneos;
Presença de pólipos nasais;
Tratamentos já utilizados;
Fenótipo inflamatório predominante.
Por isso, a escolha do imunobiológico deve sempre ser individualizada e realizada por médico com experiência em asma grave e medicina de precisão.
O futuro da pneumologia já começou
A aprovação do depemoquimabe representa mais um passo na transição da medicina tradicional para uma medicina baseada em mecanismos biológicos específicos.
Hoje não tratamos apenas "asma" ou "pólipos nasais". Cada vez mais buscamos identificar o tipo de inflamação responsável pela doença para oferecer terapias direcionadas, mais eficazes e mais seguras.
O depemoquimabe simboliza essa evolução: um tratamento desenvolvido para atuar diretamente em uma via inflamatória específica, com eficácia comprovada e comodidade inédita de apenas duas aplicações por ano.
Referências selecionadas
Jackson DJ et al. Twice-Yearly Depemokimab in Severe Asthma with an Eosinophilic Phenotype. New England Journal of Medicine. 2024.
ANVISA. Registro do Densurko® (depemoquimabe), 2026.
SWIFT-1 e SWIFT-2 – Estudos de fase III.
Heffler E et al. Depemokimab in patients with type 2 asthma and chronic rhinosinusitis with nasal polyps. 2026.
GSK. Dados regulatórios e programas ANCHOR e SWIFT.



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